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Mostrando postagens de 2010

Off de Roupa suja se lava em casa

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ensaio fotográfico/campesina

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CAMPESINA

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sobre Bateias

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O GATO POR DENTRO E O CACHORRO POR FORA
Certo dia, quando se dirigia à Três Córregos, ao passar por Bateias Fran sentiu uma sede que, somada à curiosidade, fizeram-no parar no armazém de madeira pintada de vermelho, bem no centro dessa curiosa vila.
Macondo - disse ele olhando à sua volta.
Por algum motivo esta vila o fazia pensar naquela outra de Cem anos de Solidão.
Entrou no boteco, pediu um refrigerante e se dirigiu à área toda pintada de verde, em frente do estabelecimento, onde sentou no banco de madeira.
Acendeu um cigarro e recostou à parede enquanto olhava a igreja, o colégio, o cemitério e o morro atrás deles.
Um menino chegou a cavalo. Amarrou o animal à uma das vigas de sustentação do telhado enquanto olhava para a moto de Fran com certo ar de cobiça.
Tarde! - cumprimentou ao entrar, seus sapatos de sola rústica fazendo ressoar o assoalho de madeira.
Após fumar e beber Fran entrou para pagar a conta. Enquanto esperava pelo troco, que demorava muito para vir, pode observ…

por quem os sinos dobram

Não pergunte por quem os sinos dobram é por ti que eles dobram.
(Ernest Hemingway)

...então mandaram um tanque para derrotar-nos, e eu pergunto prá que? Se já estamos há muito derrotados. Talvez para esmagar-nos de vez. Para encerrar, definitivamente, este espetáculo hediondo e grotesco de nos ver debatendo-nos, assim, em público, numa agonia infinita e ignominiosa.
Seria bom nos pisoteasse de vez, este tanque, e nos esmagasse definitivamente, que esquecessem finalmente, de nós e de nossa pobre arte sobrevivente.
Mas não precisa. Não faz falta gastarem combustível e munição. É tão desnecessário quanto Hiroshima e Nagashaki.
Quem sabe nossa total extinção faça nossos iluminados administradores se aperceberem de seus erros e incapacidade em gerir as coisas da arte.
Gostos pessoais, pontos de vista ou crenças religiosas, não devem jamais obstaculizar a espontaneidade dos acontecimentos artísticos. Cabe a eles, aos administradores, produzir o esterco, o estrume, o adubo onde nós, …

bateias

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pesquisa cultura popular

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Cuentos de España

Recostei-me no travesseiro e fechei os olhos a fim de imaginar o que faria em Cadiz.
Comecei a percorrer, mentalmente, as estreitas ruazinhas conhecidas, e, a medida que o fazia, sentia invadir-me sensação de desalento e abandono.
A princípio lentamente, depois quase num frenesi, percorro as vielas escuras, cada vez mais sombrias, sentindo-me esmagar entre as paredes altas e estreitas. Busco um caminho o qual sei irá dar ao mar. Penso que a visão deste, com sua amplitude azul, me iria devolver a paz; e, é com indizível opressão que alcanço, após atravessar ampla avenida, o parapeito que separa o passeio da praia. Mas, o mar que busquei quase em desespero, não é capaz de devolver-me a serenidade como pensei pudesse fazê-lo.
Não era azul, como esperava encontrá-lo, ou era mas de um azul quase indistinto, cinza, tornando-se, lá na faixa onde se encontrava com o céu, quase negro.
Abro os olhos e a visão de meu quarto, após alguns momentos, me devolve a serenidade perdida, nesta min…
PLAZA VACIA

Extático, o menino contemplava o cartaz onde a bailarina, com ampla saia vermelha, qual capa de toureiro voejando em torno de si, olhava-o do fundo da negrura insondável dos seus olhos de cigana.
“Hoje a noite, no teatro de Sanlucar!” – lê, em voz quase alta o ciganinho apaixonado, dá um suspiro involuntário e, envergonhado de que alguém o pudesse estar vendo, assim, suspirando em frente a um cartaz, volta-se para todos os lados, mas, como sempre, não havia ninguém.
Podia ouvir, no fundo de sua mente, o cantor flamenco em seu cantar desesperado, a sincope das palmas eletrizantes, o ritmo impregnando a atmosfera de uma sensualidade tão bruta e reprimida que a tornava quase irrespirável.
Os cabelos tolhidos no alto da cabeça; o queixo erguido, os quadris um pouco jogados à frente, uma das mãos segurando a saia, a outra pendente, muito elevada acima da cabeça, empunhando a castanhola, a bailarina, de cintura delgadíssima, seios fartos, orgulhosos, como orgulhosa era toda…
OS IRMÃOS KARAMÁZOV
Considerações sobre DOSTOIEVSKI.
Lendo este genial escritor russo chego cada vez mais a conclusão de que loucura e a insanidade são a mola propulsora da criatividade humana. Não somente no campo das artes, as conquistas, as grandes obras arquitetônicas, as mudanças sociais e, principalmente os saltos à frente dados pela humanidade, sempre foram obras de loucos genais, nem sempre “malucos beleza”, os Neros, os Napoleões, os Gengis Khan, também podem ser incluídos nesta lista nefasta, mas necessária. Porém o assunto não é este, é Dostoievski, mais precisamente os Karamázov.
Alguém disse que ler Tolstoi é como passear pelo campo numa tarde de primavera. Talvez!? Já, ler Dostoievski é como passear neste mesmo campo, sob um céu hora negro e ameaçador, hora de um sol cintilante, montando fogoso e indômito cavalo sem rédeas, o qual dá saltos e bruscas guinadas imprevisíveis. Resta-nos agarrar-nos às crinas, retesar todos os músculos e curtir a vertigem, o vento no rosto, a…

ensaio sobre machado de assis

ENSAIO SOBRE MACHADO DE ASSIS

- Estou farto do Machado de Assis! Exclamei fechando o livro, nesta semana em que estive gripado, lendo, nos intervalos da febre, as peripécias e dissabores do pobre rico Rubião, e fiquei me questionando: “ por que tão grande escritor, talvez o melhor dos brasileiros, teria desperdiçado tão precioso talento, tinta e papel, para descrever minuciosamente, como se fizesse um tratado filosófico, personagens tão medíocres?”
No romance Quincas Borba, a descrição pormenorizada do sucesso do casamento do personagem José Maria me exasperou ao extremo, chega a ser um endeusamento à fatuidade.
Um gênio incontestável esse Machado, mas de uma genialidade fragmentada que espoca como flashes ou relâmpagos dentro de uma narrativa por vezes fastidiosa. Expõe-nos a alma humana de forma atemporal. Serviu tanto para sua época como continuará sendo a mesma pelos séculos afora. Pena que, apesar disso, tenha se dedicado tanto a uma arte fácil, digerível; bem ao gosto do povo e…
LOBA

Desejo a calidez alva de tuas mãos pequenas, lépidas; tua boca tépida.
Enrolado na mortalha de minha rede me embalo no teu hálito, teu sorriso.

Busco alcançar-te a boca e que obtenho?
Quanto mais tento me aproximar
mais a vejo se afastar.

Me rejeita com afagos.
Me mata com terna suavidade.

Nunca vivi morte mais doce
pôr ela anseio todos os minutos de cada hora
todas as horas de cada dia.
Esta morte constantemente vivida
de dor e prazer constituída.

E, quando descontente penso partir
tu, qual deusa condescendente
com um gesto apenas
traz-me de volta para ti.

Mantêm-me ajoelhado em teu altar
quando penso me irás beijar
sopra-me o rosto e ri contente.

Ri de pura felicidade
pôr não conhecer maldade.

Zomba de minha mortalha
a qual por prevenção
levo sempre comigo
pronto para morrer
a rigor, em qualquer ocasião.

Mas, a vou seguindo
como o pássaro segue a borboleta
admirado da sua beleza, da sua leveza
ansiando porém destroçá-la em meu bico.

Espero sentado em volta de tua mesa
abocanhando no ar
antes mesmo …
MEIO NUA A MEIA NOITE

Meio nua à meia noite
saio à rua
encontro aberta uma porta
sempre antes tão fechada
fico ali parada
presa atada

Minha vida resumida
em lembranças
tua sombra vaga
a passear pela calçada
meio nua à meia noite
inda sou tua

Tarda tanto em chegar
esta manhã
faça dia vem cessar
este afã
meio nua à meia noite
inda sou tua
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PANDORA

este texto foi montado com:
Juliana Souza(Pandora-foto)
Cláudia Souza (Quimera) "O DIÁLOGO DE QUIMERA E PANDORA”

Cenário : apenas um biombo translúcido a um dos cantos do palco, próximo a ele uma cadeira leve onde estará sentada Quimera olhando-se em uma bacia de porcelana com água enquanto escova os cabelos .
Deverá vestir algo claro e leve.

Entra Pandora, arrastando pesado baú, gemendo, demonstrando muita dificuldade em sua tarefa, ora puxando, ora empurrando .
Deverá cair e parecer engraçada , descabelada . A alça de seu vestido cai constantemente, causando-lhe incômodo . Por fim senta-se sobre o baú, solta o ar, observa Quimera, a qual permanece o tempo todo na mesma atitude, indiferente a Pandora. Finalmente, aproxima-se:
Diálogo de Quimera e Pandora
Pandora – Sonha Quimera
De sonhar consiste teu existir
Eu, teço sonhos de realidade
MORTE NO ESTÚDIO

Quando cheguei ao estúdio ela estava sobre o palco, sozinha, se debatendo por lembrar o texto que deveria dizer.
Seu rosto se abriu num sorriso ao ver-me entrar, um sorriso grande, de dentes grandes, numa boca grande que lhe atravessava o rosto como um corte de cimitarra, ou simplesmente: um sorriso de arlequim.
Seduzia muito este sorriso, principalmente a mim, sua presa mais fácil.
Mas desta vez não me deixei abater. Me mantive impenetrável detrás dos óculo escuros, mergulhado na obscuridade do ambiente e na escuridão de minha alma neste dia funesto.
Sentados, distantes uns dos outros, formando um triângulo que lhes conferia a força de sua estabilidade, Micael, seu colega ator, e Keronotov o diretor, desfrutavam da precária estabilidade adquirida no desestabilizá-la.
Tentou agarrar-se a mim, em minhas precárias energias, mas eu me defendia de suas teias, do seu abraço de polvo viscoso, do seu beijo de vampiro, mantendo-me impenetrável.
Procurei um ponto eqüidistante dos …
SANSÃO E GOLIAS


GOLIAS - Que mais podemos dizer ou escrever que Nietszch já não tenha dito melhor. Poderia, talvez, acrescentar algo sobre as mulheres mas, valerão elas meu tempo ou a tinta da minha caneta? Penso hoje, do alto da minha maturidade e sabedoria de velho, que deveria tê-las despido todas, exposto seus corpos, seu bem maior, já que alma, ali dentro, se existe, é muito pouca. Se consentissem desfrutaria delas, esse pobre tesouro e, se não, que fossem pronto, sem que me furtassem tão preciosa moeda, a mais preciosa de todas, já que a este tesouro nada podemos acrescentar: meu tempo.
SANSÃO - Eu, mais que as mulheres e a natureza, que é o que mais amo, mais que isso, amo o jovem que fui um dia, este ser tão frágil e desprotegido, levado prá lá e prá cá tanto pelos ventos e tempestades, como pela mais leve aragem. Com ímpeto compulsivo buscava, com todas suas poucas forças, o que há de belo e melhor na criação. Buscava ver beleza em tudo e como lhe eram penosos e feios:…
AGÊNCIA INTERESTELAR

- Então, 65 anos e finalmente resolve se aposentar... que tal Marrocos? Com 800 dólares a mais posso te conseguir uma esticadinha à Grécia, com hotel, café da manhã e traslado ao Partenon e um monte de outras velharias – disse o amigo, vendedor de passagens, não, vendedor de passagens não, dono de uma “Companhia de Turismo”.
Prosperara muito nesse negócio e agora a cara lustrosa e o ventre proeminente ostentavam sua bem sucedida carreira. - fará você se sentir um jovenzinho - arrematou.
- O quê?
- Aquela velharia toda. Fará você se sentir um jovenzinho. E, se não se sentir jovem, verá o valor das coisas velhas. Te garanto, meu amigo, depois dessa viajem, vai mudar teus conceitos sobre você mesmo, as pessoas e o mundo. Veja eu, depois que entrei nesse negócio de viagens, comecei, como era natural, a viajar, e isso me mudou completamente; passei a ver o quanto somos insignificantes, o quanto é medíocre essa nossa cidadezinha, quanto os problemas insolúveis que…
PEDRO E AS BORBOLETAS AMARELAS

Lá na Faxina, próximo a São Luiz do Purunã, existe um Senhor chamado Pedro Pinheiro. Há tempos este homem se dedica a extração de um minério ali existente, próximo à sua casa.
Com picareta e um carrinho de mão traz, através de uma trilha em meio à mata, as pedras que arranca com pedidos de desculpas à natureza e as deposita na beira da estrada.
Qualquer um que passe por esta bucólica região poderá ver, pouco antes da igreja, no lugar onde há um pontilhão sobre o rio Assunguí, este amontoado resultante do labor do Seu Pedro.
Este minério é utilizado por uma indústria de louças como um dos componentes na fabricação da sua porcelana. Quando ele pensa haver o suficiente para uma carga deixa o trabalho e vai pela estrada ouvindo a música do rio, seguido por uma nuvem de borboletas a pairar em torno dele como uma aura dourada.
Sempre gentil e sorridente este homem pratica, há mais de trinta anos, aquilo que hoje chamamos: desenvolvimento sustentável.
Se fosse e…
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Play Back

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Grupo de Play Back

Disco de Vinil

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Troup do Festival de Teatro de Campo Largo com Sr. Prefeito
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PEREGRINO MONÓLOGO ELENCO: JULIANO MAYKEL TEXTO: LUIZ ZANOTTI DIREÇÃO: JOSÉ VILSEKI
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O Grupo A Peste resultou da união de alunos de minha oficina de teatro na Casa da Cultura de C.L.,
menbros do D'K', do Disco de vinil e do Grupo de teatro de Play Back, num total de 14 pessoas.
Os textos são de Luiz Zanotti. No Natal do Caranguejo contracenei com Sílvia Zyla sob a direçã do mesmo.
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MEIO NUA A MEIA NOITE
Monólogo
Elenco: Juliana Souza e Cláudia Souza
Texto e direção: José Vilseki
Música (meio nua a meia noite): José Vilseki
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O MENINO CORAJOSO Infantil Grupo D'K'
Texto e direção: José Vilseki







" O Menino" em São Luiz do Purunã