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Mostrando postagens de Julho, 2010
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Cuentos de España

Recostei-me no travesseiro e fechei os olhos a fim de imaginar o que faria em Cadiz.
Comecei a percorrer, mentalmente, as estreitas ruazinhas conhecidas, e, a medida que o fazia, sentia invadir-me sensação de desalento e abandono.
A princípio lentamente, depois quase num frenesi, percorro as vielas escuras, cada vez mais sombrias, sentindo-me esmagar entre as paredes altas e estreitas. Busco um caminho o qual sei irá dar ao mar. Penso que a visão deste, com sua amplitude azul, me iria devolver a paz; e, é com indizível opressão que alcanço, após atravessar ampla avenida, o parapeito que separa o passeio da praia. Mas, o mar que busquei quase em desespero, não é capaz de devolver-me a serenidade como pensei pudesse fazê-lo.
Não era azul, como esperava encontrá-lo, ou era mas de um azul quase indistinto, cinza, tornando-se, lá na faixa onde se encontrava com o céu, quase negro.
Abro os olhos e a visão de meu quarto, após alguns momentos, me devolve a serenidade perdida, nesta min…
PLAZA VACIA

Extático, o menino contemplava o cartaz onde a bailarina, com ampla saia vermelha, qual capa de toureiro voejando em torno de si, olhava-o do fundo da negrura insondável dos seus olhos de cigana.
“Hoje a noite, no teatro de Sanlucar!” – lê, em voz quase alta o ciganinho apaixonado, dá um suspiro involuntário e, envergonhado de que alguém o pudesse estar vendo, assim, suspirando em frente a um cartaz, volta-se para todos os lados, mas, como sempre, não havia ninguém.
Podia ouvir, no fundo de sua mente, o cantor flamenco em seu cantar desesperado, a sincope das palmas eletrizantes, o ritmo impregnando a atmosfera de uma sensualidade tão bruta e reprimida que a tornava quase irrespirável.
Os cabelos tolhidos no alto da cabeça; o queixo erguido, os quadris um pouco jogados à frente, uma das mãos segurando a saia, a outra pendente, muito elevada acima da cabeça, empunhando a castanhola, a bailarina, de cintura delgadíssima, seios fartos, orgulhosos, como orgulhosa era toda…