PEDRO E AS BORBOLETAS AMARELAS

Lá na Faxina, próximo a São Luiz do Purunã, existe um Senhor chamado Pedro Pinheiro. Há tempos este homem se dedica a extração de um minério ali existente, próximo à sua casa.
Com picareta e um carrinho de mão traz, através de uma trilha em meio à mata, as pedras que arranca com pedidos de desculpas à natureza e as deposita na beira da estrada.
Qualquer um que passe por esta bucólica região poderá ver, pouco antes da igreja, no lugar onde há um pontilhão sobre o rio Assunguí, este amontoado resultante do labor do Seu Pedro.
Este minério é utilizado por uma indústria de louças como um dos componentes na fabricação da sua porcelana. Quando ele pensa haver o suficiente para uma carga deixa o trabalho e vai pela estrada ouvindo a música do rio, seguido por uma nuvem de borboletas a pairar em torno dele como uma aura dourada.
Sempre gentil e sorridente este homem pratica, há mais de trinta anos, aquilo que hoje chamamos: desenvolvimento sustentável.
Se fosse empreendedor, se tivesse ambições, Seu Pedro teria ido em busca de novos clientes, teria tomado dinheiro de empréstimo aos bancos, pagado juros, comprado máquinas, derrubado o morro e, não satisfeito, cavado enorme cratera para extrair o minério até o âmago da terra. Teria, talvez, ficado rico, moraria numa casa grande, luxuosa, e hoje, aposentado, passearia pela estrada da Faxina sem ouvir o doce murmúrio do rio, pois em sua cabeça haveria o tilintar de moedas e o eco do barulho das máquinas e caminhões que ouviu pela vida toda. E as borboletas amarelas, coitadas, com certeza fugiriam dele assustadas com tanto barulho, um barulho obsessor a persegui-lo pela bela estrada silenciosa.

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